Como incluir riscos psicossociais no PGR: passo a passo para RH e SST

Passo a passo para incluir os riscos psicossociais no PGR: diagnóstico, inventário, avaliação de risco, plano de ação, capacitação e monitoramento.
Técnico de segurança e gerente de RH analisam matriz de riscos psicossociais do PGR

Desde a atualização da NR-01, o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) precisa contemplar os fatores de risco psicossociais. Muitas empresas já sabem disso, mas travam na hora de colocar no papel: por onde começar, que método usar e o que escrever no inventário.

Este guia da RHT Academy organiza o processo em 6 passos práticos, pensados para RH e SST trabalharem juntos.

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Resumo rápido

  1. Monte o time e defina o escopo;
  2. Faça o diagnóstico com dados e escuta dos trabalhadores;
  3. Registre os fatores no inventário de riscos;
  4. Avalie e priorize;
  5. Monte o plano de ação, incluindo capacitação;
  6. Monitore e revise.

Passo 1: monte o time e defina o escopo

Riscos psicossociais não são um tema só do SESMT nem só do RH. O time mínimo recomendado:

  • SST (responsável pelo PGR);
  • RH (dados de pessoas, clima, rotatividade);
  • Representantes da liderança das áreas;
  • CIPA, que também representa os trabalhadores.

Defina se o diagnóstico será por setor, por função ou por unidade. Para a maioria das empresas, por setor é o mais prático.

Passo 2: faça o diagnóstico

Combine três fontes de informação:

  1. Indicadores que você já tem: afastamentos (em especial por transtornos mentais), faltas, rotatividade, horas extras, acidentes, queixas no canal de denúncia.
  2. Questionário aos trabalhadores: use um instrumento reconhecido para fatores psicossociais, aplicado de forma anônima e por setor.
  3. Escuta qualitativa: entrevistas ou rodas de conversa para entender o “porquê” dos números.

A NR-01 prevê a participação dos trabalhadores no gerenciamento de riscos. Registre como essa escuta foi feita: ela é evidência.

Passo 3: registre no inventário de riscos

Para cada setor ou grupo, o inventário deve descrever:

  • o fator de risco (ex.: sobrecarga de trabalho, metas incompatíveis, conflitos com a liderança, assédio, baixa autonomia);
  • as fontes ou circunstâncias (ex.: picos sazonais sem reforço de equipe);
  • os possíveis danos à saúde (ex.: estresse, esgotamento, adoecimento mental);
  • os trabalhadores expostos;
  • as medidas de prevenção já existentes.

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Passo 4: avalie e priorize

Use a mesma lógica de severidade × probabilidade que você já aplica aos outros riscos do PGR. Na prática:

  • setores com indicadores ruins e relatos consistentes nos questionários ficam no topo;
  • relatos de assédio têm prioridade independentemente do número;
  • registre o critério usado: o auditor vai querer entender por que você priorizou A antes de B.

Passo 5: monte o plano de ação

Para cada risco priorizado, defina medida, responsável, prazo e indicador. Exemplos de medidas:

Fator de risco Medidas possíveis
Sobrecarga e metas Revisão de metas e dimensionamento; pausas; redistribuição de tarefas
Estilo de liderança Capacitação de líderes; técnicas de feedback; acompanhamento pelo RH
Assédio Canal de denúncia; política de conduta; treinamento de prevenção ao assédio
Falta de clareza de papéis Descrição de funções; rituais de alinhamento; comunicação interna
Isolamento e conflitos Mediação; integração de equipes; comunicação assertiva

Repare que a capacitação aparece em quase todas as linhas. Ela sozinha não resolve, mas é a base para as outras medidas funcionarem.

Passo 6: monitore e revise

  • reaplique o questionário a cada 6 a 12 meses;
  • acompanhe os indicadores mensalmente;
  • atualize o inventário sempre que houver mudança relevante (reestruturação, nova liderança, aumento de demanda);
  • guarde todas as evidências em um só lugar.

Checklist final

  • ☐ Time definido (SST, RH, liderança, CIPA)
  • ☐ Indicadores levantados
  • ☐ Questionário aplicado e escuta registrada
  • ☐ Fatores psicossociais no inventário
  • ☐ Critério de priorização documentado
  • ☐ Plano de ação com responsáveis e prazos
  • ☐ Capacitação de líderes e colaboradores com registro
  • ☐ Data da próxima revisão

Perguntas frequentes

Preciso de um psicólogo para fazer o diagnóstico?

A norma não exige uma formação específica, mas o apoio de profissionais com experiência em saúde mental e psicologia organizacional melhora muito a qualidade do diagnóstico e das medidas.

O PGR precisa de um documento separado para riscos psicossociais?

Não. Os fatores psicossociais entram no mesmo inventário e no mesmo plano de ação do PGR.

Quanto tempo leva para adequar?

Depende do porte, mas um primeiro ciclo (diagnóstico, inventário e plano de ação) costuma ser concluído em algumas semanas quando RH e SST trabalham juntos.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise do responsável técnico de SST ou de assessoria jurídica da sua empresa.

Jeizon Dias, Diretor da RHT Academy e da RHTREINARE

Sobre o autor

Jeizon Dias

Diretor da RHT Academy e da RHTREINARE, empresa de educação corporativa de Sorocaba (SP) que desde 2005 capacita equipes em Normas Regulamentadoras (NRs), comunicação corporativa, desenvolvimento comportamental e liderança. Na RHT Academy, desenvolve cursos em SCORM prontos e sob medida para empresas que treinam seus colaboradores no próprio LMS.

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